terça-feira, 11 de novembro de 2014



Extensão    -    17.7 Km
Grau de Dificuldade    -    Fácil
Localização    -    
Póvoa de Lanhoso
Ponto de Partida / Chegada    -     Rita, Covelas > Botica de Cima, Serzedelo
Altitude mínima    -    251 m.
Altitude máxima    -    553 m.
 
 
 
     Desta vez fui a 'jogo' em casa. A ideia passava por efectuar a parte da GR 117, Itinerário Pedestre da Via Romana XVII, que cruza no sentido SO > NE as terras de Lanhoso.
     A Via XVII, ou Itinerário XVII de Antonino, ligava Bracara Augusta (actual Braga) a Asturica Augusta (actual Astorga) passando por Aquae Flaviae (actual Chaves), num total de 364 kms. A GR 117 trata-se de uma grande rota internacional, fruto da colaboração entre as autoridades portuguesas e espanholas que percorre, ou pelo menos propõe-se a percorrer, o traçado original da antiga estrada romana. Está dividida em várias etapas devido á sua enorme extensão, etapas essas que correspondem na sua maioria ao território dos concelhos que atravessa.
     O principal objectivo para esta caminhada passava por identificar troços de antiga calçada romana. Como é óbvio são já muito raros e em muito mau estado, e a julgar pelo que vi não tardarão muitos anos a desaparecerem por completo. Falo-vos da insensibilidade das populações locais e também do abandono por parte das entidades locais.
     Temos os incêndios, os montes ardem, a seguir chegam os madeireiros (grandes destruidores de tudo quanto é caminho florestal) que utilizam muitos destes ancestrais caminhos para passar com máquinas e tractores, arrastando as madeiras e arrancando o que resta da antiga calçada. Num dos troços de maior extensão notava-se que dias antes tinha por lá andado um tractor de 'lagartas' a destruir o que por norma deveria ser preservado. Depois temos também aqueles que despejam lixo de obras como cimento, vidros, telhas, tijolos, etc. nos caminhos, pensando que estão a fazer uma grande coisa. Tudo isto acontece é claro aos olhos das autoridades municipais e sem que nada aconteça.
     Mesmo assim consegui identificar nove (9) pontos onde se pode observar a antiga calçada romana. Uns em melhor estado, outros em pior, mas estão lá para nossa memória e nos transportarem para tempos passados, muito anteriores á nossa nacionalidade.
     Apesar de ultrapassar os 17kms a caminhada é fácil. Como principais pontos de interesse temos os já referidos troços de calçada; a nascente do Rio Este na 'fronteira' dos concelhos de Braga e Póvoa de Lanhoso; a capela do Sr. do Socorro; o castelo da Lanhoso e o castro de Lanhoso; o carvalho de Calvos com mais de 500 anos de idade, considerada árvore de interesse público, e o respectivo centro interpretativo e parque de lazer; as vistas para a serra do Gerês e para o monte de S. Mamede, ponto mais elevado das terras de Lanhoso com os seus 743 metros, e destaque igualmente para os pequenos núcleos rurais que a Via XVII vai atravessando e onde conseguimos ter uma enorme proximidade e contacto com a forma de viver das gentes que por lá fazem as suas vidas.
     Na parte final fomos ainda brindados com variados fenómenos meteorológicos desde trovoadas e relâmpagos, um céu com cores e nuvens incríveis e um arco-íris como nunca tinha visto. A tempestade estava prevista, decidimos avançar e tivemos muita sorte!
     A frase do dia: "A melhor opção é sempre não ficar em casa!"
 
 
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     

2 comentários:

  1. Em apenas uma pequena parte consegui constatar todos os problemas de conservação aqui relatados. Uma pena...

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    Respostas
    1. Boas Luís!
      Uma pena, sem dúvida. Acaba também por ser um triste e fiel retrato daquilo que se passa de norte a sul no nosso país, onde se "cultiva" um completo desrespeito pela nossa memória colectiva!
      Obrigado pela visita!

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